Iniciativa oferece judô e karatê gratuitos para promover neurodiversidade e autonomia; histórias como as de Thiago e Matheus ilustram o poder do acolhimento no combate ao estigma social
Romper as barreiras invisíveis que cercam o Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige ações concretas e parcerias de alto impacto. O Instituto Athlon e o Google destacam como o investimento contínuo no esporte inclusivo é capaz de mudar realidades. Por meio do projeto “TEA Mais Inclusão Mais Esporte”, a parceria oferece acesso gratuito a aulas de judô e karatê para pessoas diagnosticadas com TEA, combatendo o preconceito na base e estruturando um caminho sólido para a autonomia e a socialização de crianças, jovens e adultos.
Considerado hoje a maior entidade esportiva para pessoas com deficiência (PCDs) do Brasil, o Instituto Athlon atende atualmente mais de 400 famílias. Viabilizada pela Lei de Incentivo ao Esporte, a iniciativa patrocinada pelo Google funciona na prática como um ecossistema completo de desenvolvimento que atende diretamente 75 pessoas no espectro autista – desde crianças a partir de oito anos até a fase adulta. O programa garante um cuidado integral que vai muito além do tatame: o acesso 100% gratuito inclui o suporte de uma equipe multidisciplinar formada por professores (senseis), fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos, promovendo até mesmo passeios e atividades fora das quadras.
A metodologia de ensino atua de forma abrangente em duas frentes: o acolhimento no esporte social para o bem-estar e o alto rendimento. Ao inserir os jovens em competições, a equipe conquistou recentemente quatro medalhas de ouro na Copa São Paulo de Judô Inclusivo. O projeto também abraça a família como um todo, incentivando os pais a se tornarem voluntários nos treinos e criando uma verdadeira rede de acolhimento e suporte.
“O Google tem sido fundamental para o crescimento do esporte para pessoas com deficiência, principalmente para aquelas no espectro autista, que muitas vezes encontram barreiras para acessar essas oportunidades. Esse apoio nos permitiu consolidar nossos projetos e oferecer atividades gratuitas de excelência. Hoje, conseguimos estimular o desenvolvimento dos alunos e proporcionar novas vivências para eles e suas famílias, garantindo um ambiente seguro e com profissionais qualificados”, destaca Kelvin, fundador e diretor do Instituto Athlon.
Vidas transformadas: O legado do orgulho e do pertencimento
A eficiência dessa estrutura se materializa em trajetórias como a de Thiago Lopes, 19, diagnosticado com autismo (nível de suporte 1). Antes de ingressar no projeto, o jovem lidava com barreiras de comunicação extremas e isolava-se em casa. A virada aconteceu quando, incentivado pela mãe, começou a praticar karatê e encontrou no esporte um ambiente de acolhimento genuíno.
“A primeira vez no tatame foi uma espécie de conforto, como se eu estivesse na minha zona segura. Eles me ensinaram um modo de comunicação em que eu me sentia bem, sem ser tratado de forma diferente por causa da deficiência”, relembra Thiago.
Esse suporte transformou não apenas sua socialização, mas o seu futuro. Hoje, Thiago atua como assistente técnico na iniciação esportiva de outras crianças autistas. Inspirado pelo cuidado dos professores do Instituto Athlon, ele agora se prepara para o Enem com o sonho de cursar Educação Física e formar novos atletas.
“Quero mostrar para essas crianças que ter uma especificidade não significa que elas não possam realizar aquilo que desejam”, destaca.
Ao refletir sobre a importância da iniciativa, Thiago resume seu impacto: “De verdade, meu maior orgulho não são as medalhas. É ter conseguido deixar o medo para trás, poder chegar aos lugares e simplesmente ser eu mesmo, sem ser julgado. O esporte não mudou só meu físico, transformou toda a minha vida.”
Impacto que abraça a família e a comunidade
A jornada de Matheus Casado, de 16 anos, diagnosticado com TEA nível de suporte 2, também reforça como esse ecossistema atua como uma rede de suporte contínuo. Praticante de Judô Inclusivo desde 2022 e atual faixa amarela, ele encontrou nos tatames o ambiente ideal para viver a adolescência: um espaço onde pode interagir, sentir que pertence a um grupo e participar de competições.
A evolução do jovem em disciplina e socialização foi tão marcante que motivou outros quatro alunos com deficiência da sua escola regular a também ingressarem no Instituto. Essa transformação extrapolou os limites do esporte e abraçou toda a família. Como Matheus necessitava de suporte durante os treinos, seu pai passou a participar ativamente das aulas e tornou-se voluntário. Hoje, auxiliando os professores e os demais alunos PCDs, ele encontrou ali um novo propósito de vida.
Para a mãe, Jacqueline Casado, o cuidado da equipe liderada pelo sensei Sandro faz com que as famílias saiam das aulas totalmente renovadas. Com o término do ensino médio no próximo ano — uma quebra de rotina que costuma impactar fortemente o comportamento de adolescentes no espectro —, o esporte representa uma garantia de futuro.
“Nos campeonatos, o Matheus e os demais alunos sentem-se integrados à sociedade e ficam extremamente felizes em receber medalhas”, orgulha-se a mãe. “A deficiência nesse ambiente deixa de ser uma barreira. Acreditamos no impacto positivo promovido pelo Instituto Athlon para uma vida adulta digna para o Matheus”, conclui Jacqueline.
CRÉDITO/IMAGEM: Alunos do Instituto Athlon em ação no tatame: o judô e o karatê como ferramentas para promover a inclusão, a autonomia e a socialização (Foto: Divulgação/Instituto Athlon)






