Especialista aposta na personalização como o futuro do neurodesenvolvimento e treina IA para criar estratégias individualizadas para famílias e escolas.
Nos últimos dois anos, a inteligência artificial transformou a maneira como trabalhamos, estudamos e buscamos informação. Ferramentas capazes de responder perguntas, produzir textos e automatizar tarefas passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas.
Mas, para a neuropsicóloga Karina Koloszuk, fundadora da Kolo Inclusão, essa é apenas a primeira etapa da revolução: “o próximo grande salto da inteligência artificial não será entregar mais informação. Será compreender contextos e criar estratégias personalizadas para cada pessoa”, afirma.
A especialista acredita que essa transformação será especialmente relevante em áreas como educação, saúde e neurodesenvolvimento, onde não existem respostas universais. “Ainda trabalhamos muito com protocolos generalistas. Mas duas crianças com o mesmo diagnóstico podem ter necessidades completamente diferentes. Uma aprende melhor com estímulos visuais. Outra responde ao movimento. Outra precisa desenvolver comunicação antes da autonomia. O futuro passa pela capacidade de entender essas diferenças”, afirma.
Essa visão deu origem ao Kolo Família, plataforma desenvolvida para apoiar famílias de crianças neurodivergentes por meio de uma inteligência artificial treinada em neurociência, desenvolvimento infantil, educação inclusiva e neurolinguística. Ao contrário dos modelos tradicionais de IA, que oferecem respostas baseadas em grandes bancos de dados, a tecnologia da Kolo foi desenhada para gerar estratégias personalizadas a partir das características individuais de cada criança.
Na prática, a plataforma considera informações como interesses, desafios, habilidades, objetivos de desenvolvimento e contexto familiar para construir sugestões de brincadeiras, atividades, formas de comunicação e estímulos adequados à realidade daquela família. “O problema das famílias nunca foi a falta de informação. Hoje existe conteúdo em excesso. O verdadeiro desafio é transformar conhecimento em decisões que façam sentido para aquela criança específica”, explica Karina.
A mesma lógica começa a ganhar espaço também nas escolas. Com o crescimento das matrículas de estudantes neurodivergentes e a ampliação das políticas de educação inclusiva, professores passaram a lidar com salas cada vez mais diversas. Para Karina, esse cenário exige uma mudança de paradigma: “não é mais possível pensar em inclusão oferecendo exatamente a mesma estratégia para todos. O professor precisa de apoio para personalizar a aprendizagem sem aumentar ainda mais sua sobrecarga.”
Segundo ela, a inteligência artificial tende a assumir um papel semelhante ao que já começa a desempenhar na medicina: deixar de ser apenas uma ferramenta de consulta para se tornar uma tecnologia capaz de ampliar a capacidade de decisão dos profissionais. Ela traz: “assim como um médico continuará sendo responsável pelo diagnóstico, o professor continuará sendo o centro da aprendizagem. A tecnologia entra como apoio, organizando informações, identificando padrões e sugerindo caminhos. Ela potencializa o trabalho humano; não o substitui.”
Para a especialista, essa será uma das principais transformações da próxima década: “a grande revolução da inteligência artificial não será responder perguntas melhores. Será ajudar cada pessoa a encontrar respostas que façam sentido para a sua realidade.”
É justamente essa lógica que, segundo Karina, deve redefinir o futuro da educação inclusiva: “o futuro não está em produzir mais conteúdo. Está em construir caminhos diferentes para crianças diferentes. Porque inclusão nunca foi tratar todos da mesma forma. Inclusão sempre foi compreender que cada criança aprende de um jeito e agora a tecnologia pode nos ajudar a fazer isso em escala.”
Sobre Karina Koloszuk
Karina Koloszuk é neuropsicóloga, especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA), cofundadora da Clínica Nathuris e fundadora da Kolo Inclusão. Atua há mais de uma década com neurodesenvolvimento, neuromodulação e inclusão, integrando ciência, tecnologia e educação para apoiar famílias, escolas e profissionais.
Sobre a Kolo Inclusão
A Kolo Inclusão é um ecossistema brasileiro voltado ao apoio de crianças neurodivergentes, com soluções para famílias, escolas, educadores e terapeutas. Sua proposta é fortalecer a rede de apoio da criança por meio de estratégias personalizadas, tecnologia e conhecimento aplicado ao cotidiano.






