Novo guia de referência orienta equipes que atendem pessoas com transtorno mental em conflito com a lei

Novo guia de referência orienta equipes que atendem pessoas com transtorno mental em conflito com a lei

Equipes que atuam no atendimento a pessoas com transtorno mental em conflito com a lei passam a contar com um novo guia de referência.

Elaborada pelo Ministério da Saúde com participação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e apoio do programa Fazendo Justiça, a publicação oferece orientações para fortalecer a articulação entre Justiça, Saúde e rede de proteção social.

Intitulado “Cuidado, Território e Direitos: orientações à equipe de avaliação e acompanhamento de medidas terapêuticas aplicáveis à pessoa com transtorno mental em conflito com a Lei (EAP-Desinst)”, o material reúne diretrizes e instrumentos para apoiar a atuação das equipes nos territórios. O objetivo é qualificar o acompanhamento das pessoas atendidas, subsidiar a elaboração de projetos terapêuticos individualizados e fortalecer estratégias de cuidado em liberdade. O lançamento ocorreu durante o evento Saúde Mental, Justiça e Direitos Humanos, na última semana.

Vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), as EAP-Desinst atuam na conexão entre os serviços de saúde e o sistema de justiça, oferecendo subsídios técnicos às decisões judiciais e apoiando os processos de desinstitucionalização. Segundo dados apresentados pelo diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Desmad) do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati Dias, o país conta com 39 equipes distribuídas em 26 estados, sendo 15 habilitadas e financiadas pelo Ministério da Saúde e outras 24 mantidas com recursos estaduais.

A publicação é resultado da cooperação estabelecida entre o CNJ e o Ministério da Saúde por meio de protocolo de intenções firmado em 2023. A iniciativa busca fortalecer a implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário, instituída pela Resolução CNJ n. 487/2023, que estabelece diretrizes para adequar a atuação judicial aos princípios da Reforma Psiquiátrica brasileira e garantir o acesso ao cuidado em liberdade.

Avanços da Política Antimanicomial

Durante o evento, a juíza auxiliar da Presidência do CNJ com atuação no Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF), Andréa da Silva Brito, apresentou um balanço da implementação da política. Entre os avanços, estão o fechamento de 11 manicômios judiciários, a interdição parcial de outros 11 estabelecimentos e a criação de Comitês Estaduais Interinstitucionais de Monitoramento da Política Antimanicomial (Ceimpas) em todas as unidades da Federação.

Andréa destacou que, além do fechamento das instituições, é necessário garantir acesso a serviços de saúde, moradia e proteção social para as pessoas em processo de desinstitucionalização. “O Estado não pode transformar a ausência de políticas públicas em justificativa para a manutenção da privação de liberdade. Os avanços alcançados até aqui demonstram que é possível transformar práticas historicamente consolidadas, mas os desafios que permanecem também nos mostram que essa transformação exige continuidade, investimento público, cooperação institucional e compromisso político”, afirmou.

Passados mais de três anos da resolução, o CNJ também avançou na estruturação de mecanismos nacionais de acompanhamento da política. Entre eles, está o Painel Saúde Mental e Medida de Segurança, desenvolvido em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Ministério da Saúde e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), que reúne dados por estado sobre pessoas submetidas a medidas de segurança e a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Apesar dos avanços, ainda existem diferenças na implementação da política entre os estados, especialmente quanto à disponibilidade de serviços de saúde e às condições de moradia e proteção social. Marcelo Kimati Dias reforçou a importância da articulação entre as instituições para superar essas dificuldades. “O cuidado não é custódia. O sofrimento psíquico não é sinônimo de periculosidade”, afirmou.

A implementação da Política Antimanicomial integra as medidas previstas no plano nacional Pena Justa. As ações do CNJ nessa agenda contam com o apoio técnico do programa Fazendo Justiça, executado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Senappen.

Fonte: Agência CNJ de Notícias

CRÉDITO/IMAGEM: Agência CNJ de Notícias

Compartilhe esta notícia:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aviso de Direitos Autorais

Todos os direitos sobre os conteúdos publicados em todas as mídias sociais do Diário PcD, incluindo textos, imagens, gráficos, e qualquer outro material, estão reservados e são protegidos pelas leis de direitos autorais.
Todos os Direitos Reservados.
Nenhuma parte das publicações em todas as mídias sociais do Diário PcD devem ser reproduzidas, distribuídas, ou transmitidas de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia, gravação, ou outros métodos eletrônicos ou mecânicos, sem a prévia autorização por escrito do titular dos direitos autorais, de acordo com a legislação vigente.
Para solicitações de permissão para usos diversos do material aqui apresentado, entre em contato por meio do e-mail jornalismopcd@gmail.com ou telefone 11.99699 9955.
A infração dos direitos autorais é uma violação de Lei Federal 9.610, passível de sanções civis e criminais.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore