Em parceria com a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED), o Instituto Jô Clemente (IJC) realiza formações para pessoas com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA), com o objetivo de apoiar o reconhecimento de notícias falsas, fraudes digitais e validar conteúdos em Linguagem Simples/ Leitura Fácil
O avanço acelerado da Inteligência Artificial está transformando não apenas a maneira como a informação circula, mas também aumentando os riscos relacionados à desinformação, às fraudes digitais e à manipulação de narrativas.
Nesta atual realidade, o Projeto “Informação Sem Barreiras: Conectar e Proteger” surge como uma resposta concreta para garantir o direito à informação segura e acessível, especialmente para pessoas com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Em parceria com a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED), o projeto foi elaborado e desenvolvido pelo Instituto Jô Clemente (IJC), Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos que atua na prevenção e promoção de saúde, qualidade de vida e Inclusão Social para pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras.
“A Inteligência Artificial amplia tanto oportunidades quanto riscos. Quando falamos de pessoas Autistas ou com Deficiência Intelectual, precisamos garantir acesso à informação clara e confiável, ensinando métodos e técnicas para identificar notícias falsas. Nosso objetivo é que pessoas com deficiência possam compreender conteúdos, possíveis riscos e participar de forma segura da sociedade e no mundo digital”, afirma Mônica Rocha, Supervisora da Autodefensoria e Projetos na área de Defesa e Garantia de Direitos do Instituto Jô Clemente (IJC).
A iniciativa ganha relevância em meio a dados recentes que mostram a dimensão do problema. Um levantamento divulgado pela Polícia Federal aponta que 42,5% das fraudes financeiras no Brasil já utilizam Inteligência Artificial, com destaque para golpes envolvendo manipulação de voz, imagem e vídeo. O país também lidera o ranking de deepfakes na América Latina, e o uso dessa tecnologia para enganar pessoas cresceu 830% entre 2024 e 2025.
Ao mesmo tempo, a influência da IA sobre o comportamento se intensifica. Uma pesquisa do Collective Intelligence Project, publicada pela revista TIME, revela que dois em cada três usuários regulares recorrem a chatbots para apoio emocional ao menos uma vez por mês, indicando que essas ferramentas já ocupam um espaço sensível na vida cotidiana.
No campo democrático, o tema também avança como prioridade institucional. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou, em março deste ano, novas diretrizes para o uso de Inteligência Artificial em contextos eleitorais, diante do potencial de manipulação do debate público. E é neste assunto que o Projeto “Informação Sem Barreiras” atua, conectando tecnologia, acessibilidade e cidadania.

Duração e metodologia
Com duração de 12 meses, o projeto prevê a formação de 50 jovens e adultos com Deficiência Intelectual e TEA em comunicação acessível, além da capacitação de 10 participantes como validadores em Linguagem Simples (forma de comunicar ideias de maneira clara, direta e fácil de entender). Esses participantes atuarão diretamente na adaptação e validação de conteúdos institucionais, contribuindo para tornar a comunicação mais inclusiva e acessível.
A metodologia inclui encontros mensais, desenvolvimento de conteúdos educativos e atividades práticas voltadas à identificação de notícias falsas, golpes digitais e compreensão de documentos.
O que é esperado com o projeto “Informação Sem Barreiras: Conectar e Proteger”?
Como resultado, o projeto também prevê a produção de materiais informativos, como posts e vídeos, e a elaboração de um conjunto de recomendações de acessibilidade comunicacional a ser entregue à Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED). Além de promover inclusão, a iniciativa posiciona pessoas com deficiência como protagonistas na construção de soluções para um dos principais desafios contemporâneos: a qualidade da informação.
Mais do que promover acesso à informação, o projeto reforça o direito das pessoas com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA) à participação segura e ativa na sociedade digital. Em um cenário em que conteúdos falsos e manipulações virtuais se tornam cada vez mais sofisticados, garantir comunicação acessível e formação crítica é fundamental para fortalecer a autonomia, a proteção e o exercício da cidadania de pessoas com deficiência. A iniciativa também contribui para combater barreiras históricas de exclusão informacional, colocando pessoas com deficiência no centro da construção de soluções inclusivas e democráticas.
Sobre o Instituto Jô Clemente (IJC)
O Instituto Jô Clemente (IJC) é uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos que, há 65 anos, promove saúde, qualidade de vida e inclusão para pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras. O IJC apoia a Defesa de Direitos das pessoas com deficiência; dissemina conhecimento por meio de pesquisas científicas e inovação; fomenta a Educação Inclusiva e a Inclusão Profissional, além de oferecer assessoria jurídica às famílias das pessoas que atende. Pioneiro no Teste do Pezinho no Brasil e credenciado pelo Ministério da Saúde como Serviço de Referência em Triagem Neonatal, o laboratório do IJC é o maior do Brasil em número de recém-nascidos triados.
O Instituto Jô Clemente (IJC) também é um centro de referência no tratamento de doenças detectadas no Teste do Pezinho, como a Fenilcetonúria, Deficiência de Biotinidase e o Hipotireoidismo Congênito. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (11) 5080-7000 ou visite o site do IJC (ijc.org.br), o primeiro do Brasil 100% acessível e com Linguagem Simples. Aproveite para seguir o IJC nas redes sociais.




