Radar da Inclusão 2026 aponta que capacitismo atinge 76% das pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Terceira edição da pesquisa com abrangência nacional mapeia as percepções de 2.526 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes sobre inclusão no mercado de trabalho.

No mês do “Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência” (21/9), a Talento Incluir lança, em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, a terceira edição da pesquisa “Radar da Inclusão 2026”, realizada pelo Instituto Locomotiva. O levantamento, que mapeia percepções e experiências de pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes no mercado de trabalho e aponta uma distância entre o acesso às oportunidades de emprego e a construção de uma carreira, revela que 3 em cada 4 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes na força de trabalho (76%) já passaram por pelo menos uma das situações de capacitismo estimuladas como: comentários capacitistas, discriminação por colegas ou lideranças, desqualificação profissional e perda de oportunidades de promoção. Esse percentual chega a 84% entre aquelas pessoas com deficiência que também se declararam LGBTQIAPN+ e 81% entre mulheres cis, o que comprova que as experiências de capacitismo não se distribuem de forma homogênea e ganham intensidade nesses grupos e marcadores sociais.

O estudo teve participação recorde este ano com 2.526 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes de 16 anos ou mais em todo o país. Para analisar as experiências profissionais, a pesquisa trabalha com duas subbases: 2.068 pessoas na força de trabalho, incluindo pessoas empregadas, autônomas, empreendedoras e em busca de emprego; e 1.159 pessoas empregadas na iniciativa privada ou no serviço público.

Processos seletivos e capacitismo

A falta de preparo para inclusão já pode ser observada nos processos seletivos. Entre as pessoas na força de trabalho, 73% passaram por ao menos uma das situações investigadas nessa etapa:

  • 63% perceberam desvalorização do perfil profissional pela oferta de uma vaga com menos exigência de qualificação;
  • 48% perceberam que o recrutador não estava preparado para conduzir a seleção de forma acessível;
  • 40% enfrentaram barreiras de acessibilidade que dificultaram a participação no processo seletivo.

Contudo, o capacitismo não se restringe ao momento do recrutamento. As lideranças aparecem no centro do desafio. Entre as pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes na força de trabalho 53% afirmam ter sofrido preconceito ou discriminação por parte de gestores, 52% citam colegas da própria equipe e 46% profissionais de outras áreas.

Ainda 64% das que sofreram capacitismo estavam empregadas quando o episódio ocorreu. Apesar disso, apenas 36% delas comunicaram o caso à empresa. Entre os que recorreram aos canais internos, 47% não se sentiram respeitados ou acolhidos, 35% se sentiram parcialmente acolhidos e somente 18% avaliaram o acolhimento como total. Os números sugerem baixa confiança nos mecanismos de escuta e apuração das empresas, o que reforça a responsabilidade das organizações sobre a qualidade do ambiente de trabalho.

Acessibilidade

A acessibilidade continua sendo uma das principais barreiras da carreira profissional de pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes. Entre as pessoas empregadas, 44% relatam dificuldades de acessibilidade em confraternizações, eventos ou momentos de integração com colegas. A circulação por espaços internos, como estações de trabalho, banheiros e refeitórios, é mencionada por 29%.

Barreiras atravessam o acesso, o desenvolvimento e a recolocação

Entre as pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes na força de trabalho, cerca de metade (49%) considera que ter uma deficiência e/ou ser neurodivergente reduz suas chances de conseguir um bom trabalho. Além disso, 68% avaliam que nenhuma ou apenas uma minoria das empresas está preparada para receber esses profissionais.

A percepção de desvalorização também aparece no tipo de oportunidade oferecida. 78% das pessoas na força de trabalho avaliam que as empresas contratam profissionais com deficiência principalmente para cargos de entrada. O resultado expressa a percepção dos participantes sobre o mercado e sugere que as barreiras não se restringem ao acesso ao emprego, mas podem alcançar também o nível das posições oferecidas.

A maioria dos respondentes empregados (59%) afirma que a empresa onde trabalham não oferece programas de mentoria, aconselhamento ou orientação de carreira voltados a pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes, indicando que os mecanismos específicos de desenvolvimento profissional ainda têm alcance limitado.

Entre as pessoas empregadas, 62% passaram por um período de busca por trabalho antes do emprego atual. Dentro desse grupo, 48% levaram mais de seis meses para conseguir uma nova colocação, indicando que a recolocação foi um processo prolongado para uma parcela relevante dos participantes.

Entre as pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes atualmente empregadas, 48% trabalham há mais de três anos na empresa atual. Nesse grupo, 44% nunca foram promovidas. A baixa oportunidade de promoção também é observada entre as pessoas com deficiência mais qualificadas, como as que têm ensino superior ou mais (42%).

A ampla maioria das pessoas que está na força de trabalho ainda não ocupa cargo de liderança (84%), enquanto 11% ocupam cargo de média liderança e apenas 1% está em cargo de alta liderança.

 Pesquisa Radar da Inclusão para download AQUI 

“A inclusão de pessoas com deficiência é uma agenda de Direitos Humanos e um compromisso fundamental para o avanço da Agenda 2030. Os dados do Radar da Inclusão 2026 mostram que ainda existem barreiras que atravessam não apenas o acesso ao trabalho, mas também a permanência, o desenvolvimento e a progressão profissional. Para avançarmos, é necessário transformar compromissos em práticas concretas, garantindo ambientes acessíveis, seguros e inclusivos e assegurando que as diversidades estejam presentes em toda a trajetória profissional”, destaca Verônica Vassalo, Gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil

“Os dados da “Radar da Inclusão 2026” mostram que a contratação, isoladamente, não sustenta uma estratégia intencional de inclusão. Quando pessoas com deficiência não encontram acessibilidade, reconhecimento e perspectivas de carreira, as empresas desperdiçam competências, aumentam a rotatividade e comprometem o retorno de seus investimentos em diversidade. Incluir também pressupõe criar condições para o futuro desses profissionais. Entre as prioridades estão acompanhar contratação, permanência, remuneração e promoção; revisar critérios de avaliação; garantir canais confiáveis de denúncia; e vincular o desenvolvimento das lideranças à construção de ambientes seguros e acessíveis”, afirma Carolina Ignarra, CEO da Talento Incluir

Marcas citadas pelos respondentes como referência em inclusão

A pesquisa também perguntou aos participantes quais marcas ou empresas eles reconhecem por suas iniciativas de inclusão, apoio e valorização de pessoas com deficiência. Entre as marcas mais citadas pelos respondentes estão (em ordem alfabética) Bradesco, Coca-Cola Company e Coca-Cola FEMSA, Globo, Google, Grupo Boticário, Itaú, Mercado Livre, Natura, Santander e Vivo.

A apresentação da pesquisa destaca essas organizações como marcas lembradas pelos próprios respondentes nesse contexto. A menção reflete a percepção dos participantes da pesquisa e não representa avaliação, certificação ou ranking elaborado pela Talento Incluir.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa Radar da Inclusão 2026 é um levantamento quantitativo digital, realizado por autopreenchimento e com abrangência nacional. Participaram 2.526 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes, de 16 anos ou mais, entre 13 de julho e 14 de agosto de 2026. A amostra é dividida quase ao meio entre 53% de pessoas brancas e 46% de pessoas negras, com 1% de pessoas amarelas e presença praticamente nula de pessoas indígenas. Há leve maioria feminina: 51% mulheres cis, 43% homens cis e 3% de gêneros não normativos. Quanto à orientação sexual, 83% se declaram heterossexuais, enquanto 13% integram a população LGBTQIAPN+ (7% homossexuais, 5% bissexuais/pansexuais e 1% assexuais), além de 3% que preferiram não responder. 

O grupo é majoritariamente adulto e em plena vida produtiva: 60% têm de 30 a 49 anos, 24% têm 50 anos ou mais e apenas 15% estão na faixa de 16 a 29 anos. O dado mais expressivo é o de escolaridade, 65% possuem ensino superior ou mais, contra 32% com ensino médio completo e somente 3% até o fundamental completo. Geograficamente, há forte concentração no Sudeste (62%), seguido de Nordeste (17%), Sul (13%) e Norte + Centro-Oeste (9%).

Sobre a Talento Incluir

A Talento Incluir é uma consultoria pioneira em inclusão produtiva de pessoas com deficiência, com atuação em consultoria, letramento, empregabilidade e capacitação. Fundada em 2008, já apoiou a inserção de mais de 10 mil profissionais com deficiência e aplicou Programas de Inclusão 360º em mais de 700 empresas no Brasil, incluindo Mercado Livre, Renner, Mondelez, Siemens Energy, Siemens Healthineers, Organizações Globo, Sephora, L’Oréal, AstraZeneca, GRU Airport e Eurofarma.

Sobre o Pacto Global da ONU

Como uma iniciativa especial do Secretário-Geral da ONU, o Pacto Global das Nações Unidas é uma convocação para que as empresas de todo o mundo alinhem suas operações e estratégias a dez princípios universais nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção. Lançado em 2000, o Pacto Global orienta e apoia a comunidade empresarial global no avanço das metas e valores da ONU por meio de práticas corporativas responsáveis. Tem mais de 20 mil participantes distribuídos em 65 redes que cobrem 85 países, sendo a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo. Há ainda 5 Hubs em diferentes regiões do mundo e mais 9 gerentes regionais responsáveis pelo processo de implementação em mais 16 países. Para mais informações, siga @globalcompact nas mídias sociais e visite nosso website em www.unglobalcompact.org

O Pacto Global da ONU– Rede Brasil foi criado em 2003 e, hoje, é a segunda maior rede local do mundo, com mais de 2.000 mil participantes. Os mais de 60 projetos conduzidos no país abrangem, principalmente, os temas: Água, Oceano, Resíduos, Agricultura, Florestas, Clima, Direitos Humanos e Trabalho, Anticorrupção, Engajamento e Comunicação. Para mais informações, siga @pactoglobalonubr nas mídias sociais e visite nosso website em www.pactoglobal.org.br 

CRÉDITO/IMAGEM: Foto divulgação B3/ Talento Incluir: marcas mais citadas

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