Comunicação corporativa que inclui: o elo entre cultura, pertencimento e impacto real

Comunicação corporativa que inclui: o elo entre cultura, pertencimento e impacto real

Empresas que comunicam com acessibilidade e representatividade abrem caminhos para a inclusão verdadeira — de dentro para fora, com escuta, ação e propósito. Lideranças engajadas e práticas acessíveis são o ponto de partida para criar ambientes de trabalho mais humanos, diversos e com senso real de pertencimento

A comunicação é uma das ferramentas mais poderosas para promover ambientes corporativos mais diversos, empáticos e justos. Quando ela é pensada sob a perspectiva da inclusão — ou seja, quando se compromete com a acessibilidade, representatividade e escuta ativa — deixa de ser apenas uma ferramenta de divulgação e passa a ser uma real força de transformação cultural.

Embora ainda longe do ideal, nos últimos anos, o mercado de trabalho tem apresentado sinais positivos. Dados do Ministério do Trabalho revelam que, entre 2009 e 2021, enquanto o crescimento do mercado formal foi de pouco mais de 18%, o número de contratações de pessoas com deficiência cresceu 78% no país. Só em 2024, mais de 27 mil trabalhadores com deficiência conquistaram uma vaga de emprego. Apesar disso, os desafios de comunicação ainda são muitos — principalmente dentro das empresas.

Para Simone Freire, fundadora da Espiral Interativa e idealizadora do Movimento Web para Todos, é justamente a comunicação que abre os caminhos para que essa inclusão aconteça de forma estruturada. “A comunicação inclusiva dá voz a mais pessoas. É com ela que a cultura empresarial começa a mudar de fato”, afirma. Segundo ela, muitas companhias ainda falham por não envolverem as pessoas com deficiência no desenvolvimento de suas estratégias. “Falta escuta ativa e processos claros. E muitas vezes, não se trata de grandes investimentos, mas de ajustes simples e eficazes: usar linguagem clara, garantir contraste e tamanho adequados, legendar vídeos, descrever imagens nas redes sociais e evitar termos excludentes”, orienta.

O mesmo olhar é compartilhado por Marinalva Cruz, especialista em diversidade, acessibilidade e políticas para inclusão social e profissional de pessoas – inclusive com deficiência. Para ela, que também é PcD, a comunicação acessível e neutra é uma ferramenta essencial para gerar empatia, valorizar as singularidades humanas e aproximar lideranças das equipes diversas. “Ela nos faz rever atitudes, repensar como falamos as coisas, e perceber que nem sempre nossa verdade é a única possível. E, quando falamos de diversidade, muitas vezes precisamos dizer a mesma coisa de maneiras diferentes e com recursos diferentes, para que todos compreendam”, afirma.

Um dos exemplos consistentes da atuação por uma sociedade mais acessível e consciente vem do Instituto Serendipidade, organização que atua na inclusão de pessoas com deficiência e defende a comunicação como um pilar central dessa transformação. “A inserção no mercado de trabalho é essencial para garantir uma existência ativa, autônoma e com pertencimento, e a comunicação corporativa deve refletir esse compromisso — de forma eficiente, engajadora e integrada a todas as áreas da empresa”, comenta Michelle Levy Terni, conselheira do Instituto Serendipidade. da entidade. Para ele, uma comunicação acessível é o primeiro passo para que a inclusão deixe de ser um discurso e se torne prática diária. “Quando comunicamos de forma clara, escutamos genuinamente e representamos todas as pessoas, criamos ambientes onde a diversidade é, de fato, bem-vinda”, reforça, lembrando que é preciso envolver as equipes internas, desde a liderança até as áreas operacionais, para que a inclusão seja, de fato, vivida no cotidiano das organizações.

Exemplos práticos 

Esse olhar é o que norteia marcas como a Life by Vivara, que, ao lançar sua campanha de pingentes inclusivos, integrou marketing, vendas, comunicação digital e treinamento de colaboradores. A marca de roupas Reserva é outra referência nesse sentido, com uma coleção de peças desenvolvida em parceria com o Serendipidade, que incentiva a inclusão de pessoas com deficiência. A partir dessa iniciativa, a empresa cultiva um posicionamento claro, constante e genuíno sobre a diversidade — dentro e fora de casa. “A inclusão faz parte do nosso jeito de ser e comunicar. A parceria com o Instituto Serendipidade fortaleceu ainda mais essa cultura dentro da empresa, ajudando a traduzir nossos valores em ações concretas. Trabalhamos para que nossas mensagens, produtos e atitudes estejam alinhados à diversidade que defendemos — dentro e fora das lojas”, destaca Carolina Portella, gestora da marca Reserva Mini. 

Esse envolvimento das equipes internas é fundamental para o engajamento com a causa. “Ações de sensibilização com propósito tiram dúvidas sem julgamento e mostram que acessibilidade não é um ‘plus’, é essencial”, destaca Simone. Marinalva completa: “É preciso garantir segurança psicológica nos espaços de escuta. Estar aberto, de fato, para ouvir o que as pessoas têm a dizer, entender suas demandas e particularidades”.

Outro ponto-chave está na sociabilidade comunicacional: garantir representatividade o ano inteiro, e não apenas em datas simbólicas. Incluir pessoas com deficiência nas campanhas, nos conteúdos institucionais, nas redes sociais e nos diálogos internos fortalece a cultura de pertencimento e evita que a inclusão seja apenas uma ação pontual.

Por fim, para as empresas que ainda estão iniciando sua jornada, Marinalva deixa um recado direto: “Não espere estar tudo redondinho para começar. A gente aprende na prática. E para incluir pessoas com deficiência, é preciso fazer com elas, não apenas para elas”.

Assim como a lei de cotas, que completa 34 anos em 24 de julho 2025 e ainda é um marco essencial para garantir oportunidades, a comunicação inclusiva é um passo estratégico e urgente. Mais do que cumprir protocolos, ela amplia o olhar, transforma relações e dá espaço real para que todas as pessoas — sem exceção — possam se expressar, crescer e pertencer.

Sobre o Instituto Serendipidade

O Instituto Serendipidade é uma organização sem fins lucrativos que potencializa a inclusão de pessoas com deficiência, com propósito de transformar a sociedade através da inclusão. Visa ser impulsor de impacto social relevante, colaborativo e inovador, sempre prezando pela representatividade, protagonismo, de forma transversal e acima de tudo, com muito respeito. As iniciativas que atendem diretamente o público são: Programa de Iniciação Esportiva para crianças com síndrome de Down e deficiência intelectual, de famílias de baixa renda; Programa de Envelhecimento que atende mais de 60 idosos com algum tipo de deficiência intelectual para promoção do bem-estar; e o Projeto Laços, que acolhe famílias que recebem a notícia de que seu filho (a) tem algum tipo de deficiência. Atualmente, o Serendipidade impacta mais de um milhão de pessoas, criando pontes, gerando valor em prol da inclusão e através do atendimento direto a pessoas com deficiência intelectual e suas famílias.

Mais informações em www.serendipidade.org.br E nas mídias sociais @institutoserendipidade

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