Em meio a uma maratona de jogos e treinos em três continentes em duas semanas, o mesatenista paulista Jean Carlos Mashki, 20, abriu sua participação nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, com duas medalhas de bronze.
Os pódios do paulista vieram nas duplas XD14-20, ao lado da catarinense Alana Maschio, e nas duplas MD18, com o paulista Cláudio Massad, em partidas realizadas no Centro Cultural de la Música Vallenata.
Atualmente, Jean participa de um intercâmbio na França, promovido a partir de parceria entre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), em Saint-Quentin-en-Yvelines. O grupo que participa da iniciativa ainda conta com os mesatenistas Paulo Henrique, Gabriel Antunes, Lethicia Lacerda, Sophia Kelmer e João Pôssas (o último também presente em Valledupar).
Antes de competir na Colômbia, Jean participou do ITTF World Para Elite de Pequim, na China, de 24 a 28 de junho. A seguir, voltou para a França para dois dias de treinamento e logo embarcou com destino à Colômbia.
Segundo o atleta, a vivência internacional é importante principalmente por permitir ampliar a quantidade de partidas que ele consegue fazer ao longo do ano, tanto em ligas nacionais francesas como também em eventos em outros países da Europa e da Ásia, que agora ficam mais perto de onde ele está morando, uma casa dividida com os demais atletas masculinos do grupo e um treinador.
Com isso, a rotina de Jean inclui treinos de segunda-feira a quinta-feira e competições em praticamente todos os finais de semana, explicou.
O atleta contou que já morava sozinho havia três anos, para poder treinar no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, junto à Seleção Brasileira da modalidade. Porém, chegar à França trouxe novos desafios.
“Agora estou ainda mais longe da minha família. O idioma e a cultura são muito diferentes, já estou estudando francês. Muitas vezes está sol até muito tarde da noite, o que me faz ter de estar atento para regular meu horário de descanso. Além disso, muitas vezes as competições começam de noite e vão até a madrugada, diferente do que acontece no Brasil”, contou.
Na avaliação do atleta, o novo ritmo de treinamento proporcionado pelo intercâmbio já traz benefícios. “Meu primeiro semestre não começou tão bem em resultados. Mas, de dois meses para cá, venho conseguindo desempenhar melhor, com mais volume de jogos.”
Para Jean, mesmo com tantas competições em sua rotina, os Jogos Parasul-Americanos de Valledupar são especiais. “É uma honra participar de missões do CPB representando o Brasil e queria muito vir para cá, embora esteja em uma sequência muito grande de viagens. Estar aqui é importante, não só por pontos para o ranking, mas também por representar o Brasil, usar o uniforme da delegação, ter uma abertura oficial. Sinto que realmente estou competindo pelo Brasil”, disse o atleta.
Esta é a quarta missão de Jean com o CPB.
Em 2023, ele esteve na Colômbia para participar do Parapan de Jovens de Bogotá, ocasião em que foi ouro na dupla masculina, bronze na dupla mista e no individual. No mesmo ano, esteve no Parapan adulto em Santiago, no Chile, e foi ouro nas duplas masculinas MD18 e bronze no individual masculino. Mais recentemente, esteve no Parapan de Jovens de Santiago de 2025 e foi novamente ouro no individual.
Nova dupla
A dupla formada por Jean e Cláudio para os Jogos de Valledupar 2026 foi formada neste ano, há cerca de três meses, visando uma vaga no Mundial da modalidade, que acontecerá de 13 a 19 de novembro em Pattaya, na Tailândia.
Segundo Jean, competir ao lado de seu novo parceiro também contribui para seu desenvolvimento. Cláudio é medalhista de bronze nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 nas duplas MD18, ao lado de Luiz Filipe Manara.
“Jogar com ele tem sido uma experiência muito boa. Ele é uma atleta muito experiente, que sempre consegue me direcionar a um caminho bom e estamos criando uma amizade muito boa neste período de parceria”, afirmou. Em junho, Jean e Claudio venceram o ITTF Para Future Buenos Aires 2026, na Argentina, em outra das recentes viagens do jovem mesatenista.
Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).
Este é o primeiro evento multimodalidade com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos Paralímpicos, em Paris, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.
Na Colômbia, o Brasil conta com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal, que une experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.
Por um lado, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia. Por outro, o grupo conta com 80 atletas que têm no máximo 23 anos na data de início da competição.
Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.
Patrocínio
As Loterias CAIXA são a patrocinadora oficial do tênis de mesa paralímpico.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro
CRÉDITO/IMAGEM: Mesatenista Jean Mashki nos Jogos Para-Sulamericanos Valledupar 2026 | Foto: Carol Coelho/CPB






