Para o defensor público André Naves, o aumento dos casos reforça a necessidade de integrar políticas públicas, fortalecer a rede de proteção e garantir autonomia econômica às vítimas para romper o ciclo da violência.
O estado de São Paulo registrou, no primeiro semestre deste ano, o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, em 2018. Foram 141 mulheres assassinadas por razões de gênero entre janeiro e junho, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Para especialistas, o crescimento revela que, embora o país tenha avançado na legislação de proteção às mulheres, ainda persistem falhas importantes na prevenção, na identificação precoce das situações de risco e no acolhimento das vítimas.
O cenário acompanha uma realidade nacional. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, para cada feminicídio registrado no Brasil, há centenas de casos anteriores de ameaças, agressões físicas e outras formas de violência doméstica, evidenciando que o assassinato costuma representar o desfecho de um ciclo prolongado de abusos que poderia ser interrompido com ações preventivas mais eficazes.
Para o Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos, Economia Política e Inclusão Social, os números demonstram que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa ir além da punição dos agressores.
“O feminicídio é a etapa final de um ciclo de violência que poderia ser interrompido muito antes. Quando esses números crescem, fica evidente que as redes de proteção ainda não conseguem identificar e acolher mulheres em situação de risco com a rapidez e a efetividade necessárias. É um alerta para toda a sociedade e para o poder público.”
Autonomia financeira pode salvar vidas
Além do fortalecimento das investigações e do atendimento humanizado às vítimas, André Naves destaca que muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos por enfrentarem obstáculos que vão além da violência física.
“A dependência econômica, a falta de moradia, o medo de perder a guarda dos filhos, o isolamento social e a ausência de uma rede de apoio fazem com que inúmeras mulheres não consigam romper esse ciclo. Quando falamos em combate ao feminicídio, também estamos falando de inclusão social, acesso ao trabalho, renda, educação e políticas públicas capazes de devolver autonomia às vítimas.”
O defensor ressalta ainda que mulheres com deficiência, em situação de vulnerabilidade social ou residentes em regiões com menor oferta de serviços públicos enfrentam barreiras ainda maiores para denunciar seus agressores e reconstruir suas vidas.
Para André Naves, enfrentar o feminicídio exige uma atuação integrada entre segurança pública, Justiça, saúde, assistência social, educação e políticas de geração de renda, além de campanhas permanentes de conscientização que combatam a cultura da violência de gênero.
“Nenhuma política pública isolada será suficiente. Precisamos de uma rede articulada que acolha, proteja e ofereça condições reais para que essas mulheres reconstruam suas vidas com segurança e dignidade. Salvar vidas depende da capacidade de agir antes que a violência chegue ao seu estágio mais extremo.”
Para saber mais sobre o trabalho de André Naves, acesse andrenaves.com ou acompanhe suas redes sociais: @andrenaves.def.





