ANAPcD defende protagonismo das pessoas com deficiência na construção de uma sociedade inclusiva na Semana Jurídica da UNIJORGE

ANAPcD defende protagonismo das pessoas com deficiência na construção de uma sociedade inclusiva na Semana Jurídica da UNIJORGE

Evento nesta segunda-feira, 19, discutirá cidadania, movimento social, barreiras institucionais e os desafios para garantir direitos e participação plena às pessoas com deficiência – de forma híbrida e com inscrições ainda disponíveis

  • * Por Abrão Dib

defesa dos direitos das pessoas com deficiência exige mais do que leis, discursos e compromissos institucionais. Exige participação social, mobilização, fiscalização e a disposição permanente de enfrentar as barreiras que ainda impedem milhões de brasileiros de exercer plenamente sua cidadania.

É a ANAPcD tem uma excelente oportunidade nesta segunda-feira, 19, como entidade palestrante na Semana Jurídica 2026 organizaodo pelo Curso de Direito do Centro Universitário Jorge Amado – UNIJORGE, que tem como tema “Justiça para Todos: Inclusão, Acessibilidade e Direitos Humanos no Sistema de Justiça”.

Inscreva-se, pelo link:

https://eventos.unijorge.com.br/semjur262

Nossa participação será na Mesa 2, dedicada ao tema “Cidadania, Movimento Social e os Desafios para uma Vida Plenamente Inclusiva”, programada para 19 de outubro, às 17h.

O encontro reunirá representantes de instituições, profissionais do Direito e organizações da sociedade civil para discutir as barreiras que continuam limitando a participação das pessoas com deficiência na sociedade e no mercado de trabalho.

Direitos reconhecidos não significam direitos efetivados

O Brasil possui um conjunto importante de normas voltadas à proteção dos direitos das pessoas com deficiência. Entretanto, entre o direito previsto na legislação e sua concretização na vida cotidiana, ainda existe uma distância que precisa ser enfrentada.

A acessibilidade nem sempre está presente nos espaços públicos e privados. As oportunidades de trabalho continuam sendo um desafio. Serviços essenciais podem apresentar barreiras físicas, comunicacionais, digitais e atitudinais. E muitas famílias ainda precisam insistir, procurar diferentes instituições e, em determinadas situações, recorrer à Justiça para conseguir aquilo que deveria ser assegurado.

Por esses e outros motivos é fundamental a participação do movimento social.

As organizações representativas não podem se limitar a acompanhar as políticas públicas. Precisam participar de sua construção, cobrar providências, apontar falhas e exigir que os compromissos assumidos se transformem em resultados concretos.

Na ANAPcD, entendemos que a defesa dos direitos das pessoas com deficiência passa justamente por essa atuação permanente: representar demandas, dar visibilidade a problemas que muitas vezes permanecem invisíveis e buscar respostas das instituições responsáveis.

Participando das decisões

Um dos pontos centrais do debate será a importância do protagonismo das pessoas com deficiência na construção de políticas públicas inclusivas. Durante muito tempo, decisões relacionadas à deficiência foram tomadas sem que as próprias pessoas diretamente afetadas tivessem participação efetiva. Esse modelo precisa ser superado.

A frase “Nada sobre nós, sem nós” não deve ser tratada apenas como um lema. Ela expressa um princípio de participação, respeito e reconhecimento da capacidade das pessoas com deficiência de contribuir para as decisões que afetam suas vidas. Isso significa ouvir as pessoas com deficiência, considerar suas experiências e garantir que suas organizações tenham espaço nos processos de formulação, implementação e avaliação das políticas públicas.

Também significa compreender que a deficiência não pode ser vista apenas pela perspectiva individual ou médica. As barreiras presentes no ambiente, nas instituições, nos serviços e nas atitudes sociais podem limitar a autonomia e a participação, mesmo quando existem direitos formalmente reconhecidos.

Uma sociedade inclusiva precisa enfrentar essas barreiras, e não transferir às pessoas com deficiência a responsabilidade de superá-las sozinhas.

Cidadania exige participação, acessibilidade e oportunidades

Falar em cidadania é falar sobre a possibilidade real de estudar, trabalhar, circular pela cidade, acessar serviços, participar da vida política, utilizar tecnologias e tomar decisões sobre a própria vida.

Para que isso aconteça, a acessibilidade precisa estar presente no planejamento das políticas públicas e na organização dos serviços. A inclusão não pode depender exclusivamente da boa vontade de gestores, empresas ou instituições.

É necessário estabelecer responsabilidades, acompanhar resultados e garantir que as pessoas com deficiência sejam consideradas desde o início na elaboração de projetos, programas e iniciativas.

No mercado de trabalho, por exemplo, não basta reconhecer a existência de vagas reservadas se persistirem barreiras nos processos seletivos, nos ambientes profissionais e nas oportunidades de desenvolvimento. Na educação, não basta garantir a matrícula se o estudante não tiver acessibilidade, recursos e condições de permanência. Na Justiça, não basta reconhecer direitos se as pessoas não conseguirem acessar os serviços e participar dos procedimentos em igualdade de condições. A inclusão precisa ser medida pela realidade que as pessoas vivenciam, e não apenas pelo que está escrito nos documentos oficiais.

A participação da ANAPcD no debate

A presença da ANAPcD na Semana Jurídica da UNIJORGE representa uma oportunidade de levar ao ambiente acadêmico e jurídico as demandas que chegam às organizações de defesa das pessoas com deficiência. A aproximação entre o movimento social, as universidades e os profissionais do Direito é essencial para compreender os desafios concretos da efetivação dos direitos e buscar soluções que considerem as experiências das próprias pessoas com deficiência e de suas famílias.

O diálogo também permite discutir os limites das políticas existentes, a necessidade de aperfeiçoamento das práticas institucionais e a importância de uma atuação articulada entre sociedade civil e poder público. A participação social não elimina as responsabilidades do Estado. Pelo contrário: contribui para que essas responsabilidades sejam identificadas, acompanhadas e cobradas.

Uma vida plenamente inclusiva ainda é um desafio coletivo

Participar de um debate sobre cidadania e movimento social é também reafirmar que a inclusão não é uma concessão. É uma questão de direitos humanos, dignidade e igualdade de oportunidades.

Uma sociedade plenamente inclusiva é aquela em que as pessoas com deficiência não precisam enfrentar obstáculos adicionais para exercer direitos que deveriam estar disponíveis a todos. É aquela em que suas opiniões são consideradas, suas escolhas são respeitadas e sua participação é garantida nos diferentes espaços sociais.

Esse objetivo exige continuidade. Exige instituições abertas ao diálogo, profissionais comprometidos, políticas públicas efetivas e organizações da sociedade civil dispostas a acompanhar cada etapa desse processo.

Como presidente da ANAPcD, levo para a Mesa 2 o compromisso de defender a participação das pessoas com deficiência, fortalecer o diálogo institucional e reafirmar que a construção de uma sociedade inclusiva precisa acontecer com o protagonismo de quem vivencia essas barreiras.

Porque não existe cidadania plena quando uma parte da população precisa lutar diariamente para ter acesso aos próprios direitos. E não existe inclusão verdadeira sem a participação das pessoas com deficiência nas decisões que definem seu presente e seu futuro.

  • Abrão Dib é jornalista profissional diplomado, editor do Diário PcD e Presidente da ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência

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