Entidades se manifestaram e defendem respeito às pessoas com deficiência após frase utilizada em debate presidencial
A ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência publicou neste sábado, uma nota pública intitulada “Deficiência não é insulto”, na qual manifesta preocupação com o uso de uma expressão relacionada à ausência de partes do corpo durante o debate presidencial transmitido pela TV Globo na noite de 23 de outubro.
Na manifestação, a entidade se refere à frase “dá com uma mão e tira com os nove dedos”, utilizada por um dos candidatos em referência ao adversário político. Segundo a associação, embora o autor da declaração tenha pedido desculpas publicamente ainda durante o programa, a repercussão do episódio entre pessoas com deficiência, inclusive associados da organização, motivou o posicionamento oficial.
Nota Pública – https://anapcd.org.br/deficiencia-nao-e-insulto/
A ANAPcD afirma que nenhuma característica física, deficiência ou ausência de parte do corpo deve ser utilizada para ridicularizar, humilhar ou atacar uma pessoa, independentemente de quem faça a declaração ou de quem seja o alvo.
Críticas políticas não devem reforçar preconceitos
Na nota, a associação ressalta que divergências, críticas e cobranças fazem parte do debate democrático, mas considera que o corpo do adversário não deve ser transformado em argumento político.
Para a entidade, quando uma condição física é utilizada de maneira pejorativa, a discussão deixa de se concentrar em propostas e condutas e passa a reforçar preconceitos que atingem milhões de brasileiros com deficiência.
A organização também destaca que a falta de um dedo, de uma mão, de um braço ou de qualquer outro membro não diminui a dignidade nem a capacidade de uma pessoa.
O posicionamento chama a atenção para o capacitismo, caracterizado pela discriminação e pelo preconceito contra pessoas com deficiência. Esse tipo de atitude pode se manifestar tanto em ações explícitas de desrespeito quanto na reprodução de expressões que associam características corporais à inferioridade, à incapacidade ou ao ridículo.
Repercurssão nas redes sociais
O CONADE – Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência assim como Conselhos Municipais também se manifestaram.
O CEADPcD – Conselho da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, em nota de repúdio, afirmou que “o uso reiterado de particularidades físicas ou limitações corporais com o objetivo de menosprezar, ridicularizar ou inferiorizar adversários no cenário político ultrapassa qualquer limite do debate democrático saudável. Tal conduta reforça preconceitos históricos e estigmas nocivos que o movimento social e os órgãos de controle social lutam há décadas para erradicar”.
A ANAFITRA – Associação Nacional dos Fiscais de Trabalho repercutiu a declaração de Ana Mércia Vieira Fernandes, que chamou “a atenção para a gravidade da declaração e roforça a importância de defender o trabalho digno”.




