Frases como “mas ele nem parece autista” ajudam a perpetuar estereótipos que dificultam a inclusão. Especialista internacional Dr Kerry Magro discutirá o tema durante evento promovido pelo Instituto Cintia Chiarelli, em agosto.
“Mas ele nem parece autista.”
A frase costuma ser dita como um elogio ou uma demonstração de surpresa. No entanto, para muitas pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias, ela revela um dos maiores obstáculos para a inclusão: a ideia equivocada de que existe uma aparência, um comportamento ou um único jeito de ser autista.
Embora o debate sobre o autismo tenha avançado significativamente nos últimos anos, especialistas alertam que os estereótipos ainda influenciam a forma como a sociedade enxerga as pessoas neurodivergentes. A expectativa de que todas apresentem as mesmas características acaba invisibilizando experiências muito diferentes entre si e dificulta o acesso ao acolhimento, ao diagnóstico e à inclusão.
“O próprio nome já nos ajuda a entender essa realidade: falamos em espectro justamente porque existe uma enorme diversidade de perfis, habilidades, formas de comunicação e necessidades de apoio. Quando esperamos que todas as pessoas autistas sejam iguais, deixamos de enxergar quem elas realmente são”, afirma Cintia Chiarelli, fundadora do Instituto Cintia Chiarelli.

Segundo ela, ainda é comum que pessoas autistas ouçam comentários como “ele olha nos olhos”, “ela conversa normalmente”, “é muito inteligente para ser autista” ou “parece apenas tímido”. Embora pareçam inofensivas, essas observações reforçam estereótipos que dificultam a compreensão da neurodiversidade.
Além de alimentar preconceitos, essa visão limitada pode atrasar diagnósticos, especialmente entre mulheres e adultos, que muitas vezes desenvolvem estratégias para mascarar características do espectro ao longo da vida. O resultado é que inúmeras pessoas passam anos sem compreender por que enfrentam dificuldades de comunicação, interação social ou sobrecarga sensorial.
Para Cintia, superar esses estigmas é um passo essencial para construir uma sociedade mais inclusiva: “precisamos deixar de procurar uma aparência para o autismo e começar a enxergar pessoas. Cada indivíduo tem sua própria forma de perceber o mundo, de aprender, de se comunicar e de construir relações. A inclusão começa quando abandonamos os rótulos e passamos a conhecer a pessoa para além do diagnóstico”, destaca.
Esse será um dos temas discutidos no evento Amor ao Espectro Autista, promovido pelo Instituto Cintia Chiarelli no próximo dia 11 de agosto. O encontro contará com a participação ao vivo, via Zoom, do Dr. Kerry Magro, uma das maiores referências internacionais em neurodiversidade e inclusão.
Diagnosticado com autismo aos quatro anos de idade, Kerry não desenvolveu plenamente a fala até a infância. Hoje, é palestrante internacional, autor best-seller e consultor da premiada série Love on the Spectrum U.S., da Netflix, além de atuar junto a empresas, instituições de ensino e organizações em diversos países para promover ambientes mais inclusivos.
Segundo Cintia, ouvir alguém que viveu essa transformação torna o encontro ainda mais relevante: “Dr Kerry Magro é a prova de que o autismo não pode ser reduzido a estereótipos. Sua trajetória mostra que, quando oferecemos oportunidades, apoio e respeito, as pessoas autistas podem desenvolver seus talentos e ocupar espaços que antes pareciam impossíveis. Essa é uma reflexão que interessa não apenas às famílias, mas a toda a sociedade.”
Com tradução simultânea para o português, o evento é voltado para familiares, educadores, profissionais da saúde, estudantes e todas as pessoas interessadas em compreender o autismo sob uma perspectiva mais humana, inclusiva e baseada no respeito às diferenças.
SERVIÇO
Evento: Amor ao Espectro Autista
Data: 11 de agosto de 2026
Horário: 20h
Formato: Online, via Zoom
Duração: 2 horas
Participação: Dr. Kerry Magro
Tradução simultânea: Sim
Inscrições: R$ 150
Informações e inscrições:
WhatsApp: (43) 99611-5476
Realização: Instituto Cintia Chiarelli






