Em transmissão às 20h, serão revelados detalhes do alerta feito ao ministro Kassio Nunes Marques cinco dias antes da votação. Entidades haviam encaminhado solicitação ao Tribunal em setembro e pedido providências urgentes para garantir o direito ao voto das pessoas com deficiência.
O que o Brasil acompanhou durante o segundo turno das Eleições 2026, no domingo (25), já era motivo de preocupação para as organizações que defendem os direitos das pessoas com deficiência.
Dias antes da votação, a ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência e a OCTO Diversidade estiveram diante do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, para alertar sobre os riscos provocados pela falta de acessibilidade no processo eleitoral.
A reunião aconteceu em 20 de outubro, apenas cinco dias antes do segundo turno. Mas a mobilização das entidades havia começado muito antes: em 2 de setembro, quando acionaram o TSE, apresentando suas preocupações e solicitando uma audiência em caráter de urgência, principalmente para alertar sobre o programa Seu Voto Importa.
Agora, diante das dificuldades registradas durante a votação, a pergunta ganha ainda mais relevância: o que foi alertado ao presidente do TSE antes que os problemas de acesso às urnas voltassem a ganhar destaque nacional?
Os detalhes desse encontro e o conteúdo do alerta serão apresentados em uma transmissão especial, às 20h, com a participação da ANAPcD e da OCTO Diversidade.
O alerta veio antes dos problemas em todo o Brasil
A carta encaminhada ao TSE em setembro tinha como objetivo chamar a atenção para as barreiras de acessibilidade que poderiam comprometer a participação eleitoral das pessoas com deficiência.
As entidades solicitaram uma reunião urgente para tratar das condições oferecidas aos eleitores e das medidas necessárias para assegurar o exercício do direito ao voto.
A audiência, porém, ocorreu somente em 20 de outubro, a cinco dias da votação.
Participaram do encontro Abrão Dib, presidente da ANAPcD, e Thomás Levy e Wanderley Montanholi, presidente e vice-presidente da OCTO Diversidade, respectivamente.
Segundo a manifestação divulgada pela ANAPcD, a proximidade do segundo turno reduziu o tempo disponível para avaliar, corrigir e prevenir eventuais problemas nos locais de votação.
O alerta não se limitava a uma situação específica. A preocupação envolvia as condições reais de acesso às seções eleitorais, a existência de barreiras arquitetônicas, a confiabilidade das informações de acessibilidade e a necessidade de procedimentos capazes de evitar que eleitores fossem impedidos de votar.
FOI NOTÍCIA NO DIÁRIO: Mulher de 96 anos em cadeira de rodas espera três horas para votar em local sem acessibilidade em Ribeirão Preto/SP – https://diariopcd.com.br/mulher-de-96-anos-em-cadeira-de-rodas-espera-tres-horas-para-votar-em-local-sem-acessibilidade-em-ribeirao-preto-sp/
O que aconteceu no domingo reforçou a importância do alerta
No segundo turno, dificuldades de deslocamento e de acesso aos locais de votação ganharam visibilidade em diferentes regiões do país.
Para as pessoas com deficiência, entretanto, essas barreiras fazem parte de uma realidade conhecida há anos. Calçadas inadequadas, entradas com desníveis, ausência de rampas e dificuldades para chegar até a seção eleitoral podem comprometer a autonomia e impedir a participação em atividades essenciais.
Quando obstáculos semelhantes passam a atingir também outros segmentos da população, a dimensão do problema fica mais evidente para a sociedade. Isso não significa, porém, que as barreiras tenham surgido apenas agora.
A acessibilidade sempre foi uma condição necessária para que pessoas com deficiência pudessem exercer plenamente seus direitos. O que aconteceu no segundo turno reforçou a urgência de enfrentar problemas que já haviam sido levados formalmente ao conhecimento da Justiça Eleitoral.
O alerta das entidades, portanto, antecedeu os acontecimentos de domingo. A discussão agora é entender o que foi apresentado ao TSE, quais respostas foram dadas e quais medidas precisam ser adotadas para evitar que as mesmas situações se repitam.





