Obesidade no Brasil avança e alavanca os diagnósticos de diabetes com crescimento de 135% nos últimos 18 anos

Obesidade no Brasil avança e alavanca os diagnósticos de diabetes com crescimento de 135% nos últimos 18 anos

Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que 60% dos brasileiros sofrem com o excesso de peso. O problema, que influencia diretamente nos casos de diabetes, apresentou um crescimento de 135% em 18 anos

A obesidade já é considerada uma epidemia no país. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 60% dos brasileiros adultos apresentam excesso de peso, e cerca de 25% vivem com obesidade. Esse cenário impacta diretamente o aumento dos casos de diabetes tipo 2, que segundo pesquisas do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), aumentou em 135% nos últimos 18 anos. A doença crônica, quando não controlada, pode desencadear complicações severas que incluem problemas vasculares e o desenvolvimento de feridas crônicas nos membros inferiores.

Estima-se que aproximadamente 25% das pessoas com diabetes desenvolverão úlceras nos pés ao longo da vida. Essas lesões, conhecidas como pé diabético, podem evoluir para infecções graves e amputações. No Brasil, dados do Sistema Único de Saúde indicam que cerca de 50 mil amputações relacionadas ao diabetes são realizadas anualmente, evidenciando o impacto clínico, social e econômico da doença. Somente em 2022, os gastos públicos com amputações ultrapassaram R$799 milhões.

Diante desse cenário, terapias regenerativas vêm ganhando espaço como alternativas para apoiar a cicatrização e a preservação dos membros. Entre elas, destaca-se o protocolo One STEP®, que utiliza células obtidas do tecido adiposo do próprio paciente e tem sido aplicado especialmente em casos de pé diabético e feridas de difícil cicatrização associadas ao comprometimento vascular.

Um estudo de caso publicado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular acompanhou sete pacientes com diabetes e doença vascular periférica grave nos membros inferiores, todos com risco elevado de amputação. Após oito meses de acompanhamento com a aplicação do protocolo regenerativo, cinco pacientes apresentaram fechamento completo das lesões e os outros dois evoluíram de úlceras profundas para lesões superficiais. Durante o período do estudo, não houve necessidade de amputação entre os participantes.

O procedimento envolve a coleta de tecido adiposo por meio de lipoaspiração minimamente invasiva. O material é processado no próprio centro cirúrgico e aplicado na área afetada. As células autólogas atuam estimulando a regeneração dos tecidos, a formação de novos vasos sanguíneos e a melhora da circulação local, contribuindo para a redução da inflamação e aceleração da cicatrização. Essa abordagem tem sido considerada especialmente relevante em pacientes com limitações terapêuticas e baixa resposta aos tratamentos convencionais.

Segundo o cirurgião Felipe Figueiró, especialista em medicina regenerativa, estratégias que favoreçam a preservação do membro podem transformar o prognóstico dos pacientes. “A possibilidade de estimular a cicatrização em feridas complexas pode contribuir para a redução de amputações, com impacto direto na qualidade de vida e também nos custos assistenciais”, explica.

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