Pais participam mais da criação dos filhos, mas ainda encontram entraves sociais

#PRATODOSVEREM: Foto colorida. Do lado direito da foto, homem de pele clara, sorrindo, com barba e cabelos escuros. Veste uma camiseta vermelha. Do lado esquerdo, um garotinho, de pele clara, cabelos curtos e loiros, sorridente. Veste uma camiseta branca. Eles estão com o rosto colado! FIM DA DESCRIÇÃO

Aqueles tempos em que os pais eram meros coadjuvantes na criação dos filhos parecem, pouco a pouco, estarem ficando para trás. Hoje, muitos fazem questão de acompanhar de perto o crescimento dos rebentos, participando ativamente do dia a dia das crianças e compartilhando as atividades domésticas. Tarefas antes relegadas às sempre sobrecarregadas mães, como consultas médicas, reunião na escola, arrumação da casa e desacelerar os pequenos para dormir são agora compartilhadas em muitas famílias. 

A pandemia de coronavírus parece ter, inclusive, intensificado este movimento. Uma pesquisa da 4Daddy, que ouviu 1.800 pessoas em 2020 para investigar qual foi o impacto do confinamento na divisão de tarefas, mostra que 70% dos pais disseram participar ativamente dos afazeres domésticos, incluindo os cuidados com as crianças.

O administrador de empresas Maurício Ferrete, de 41 anos, é um desses “novos pais”. Ele prepara diariamente o café da manhã dos filhos, Daniel, de 6 anos, e Helena, de 3. Depois de alimentá-los, é o responsável por levar a dupla à escola. Na volta para casa, organiza o jantar junto da esposa, que leva a turminha para o banho. Na hora de dormir, é de novo Maurício que entra em ação. “Deito com o Daniel, que tem síndrome de Down, todas as noites. Se não fizer isso, ele não dorme. Tem gente que ainda acha que é a mãe que deve cuidar. Mas essa igualdade já era para estar acontecendo há anos”, diz.

O empresário Fernando Dall Agnol, pai de Francisco, de 2 anos e 8 meses, também com trissomia 21, faz questão de levar o menino à escola todos os dias, dar banho, acompanhá-lo em duas terapias. Sabe aquelas noites mal dormidas, quando a criança tem insônia? É ele quem resolve. “Meu pai às vezes pergunta por que não é minha mulher que está realizando alguma das tarefas que faço. Ainda temos uma longa caminhada pela igualdade”.

A psicóloga Marina Zylberstajn, do Instituto Serendipidade, que atua pela inclusão de pessoas com deficiência, diz que os benefícios da presença paterna na vida dos filhos são incontáveis. E não estamos falando apenas de carinho extra. “Pai também representa a lei e o limite – e quando a criança é criada só pela mãe, só tem um modo de enxergar as situações.  A presença do pai amplia as referências e, mesmo que haja divergências na visão de mundo do casal, essa diferença é  importante para a formação da personalidade da criança”, diz.

A psicóloga Cláudia Zaclis, da mesma instituição, diz que, se, por um lado, há um aumento da consciência sobre a importância da participação paterna na vida dos filhos, por outro, há ainda entraves sociais.

— O mais claro é o da licença-paternidade, que, em muitas empresas, não passa de cinco dias. Por mais que seja a mãe que amamente, o pai é essencial para o desenvolvimento dos filhos em qualquer fase da vida. Outro exemplo é o da escola: quando um filho se machuca, ligam para a mãe, nunca para o pai. O mesmo acontece com as reuniões pedagógicas, é sempre a mãe que é avisada.

Maurício e Fernando dizem que, em muitas situações, ainda se sentem como peixes fora d’água.  “Em restaurantes, tenho que trocar a fralda do meu filho em cima da mesa ou no meu colo, já que quase nunca há trocador no banheiro masculino”, reclama Fernando. Já Maurício comemora uma pequena vitória contra o machismo que acredita estar ainda enraizado. “Em uma das terapias em que costumo levar Daniel havia uma placa com a inscrição “Espaço da Mamãe”, como se os pais estivessem banidos dos cuidados com as crianças. Como sou eu que levo meu filho toda semana, acabaram trocando a placa para “Espaço da Família”. Foi um pequeno sinal de que é possível mudar”. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aviso de Direitos Autorais

Todos os direitos sobre os conteúdos publicados em todas as mídias sociais do Diário PcD, incluindo textos, imagens, gráficos, e qualquer outro material, estão reservados e são protegidos pelas leis de direitos autorais.
Todos os Direitos Reservados.
Nenhuma parte das publicações em todas as mídias sociais do Diário PcD devem ser reproduzidas, distribuídas, ou transmitidas de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia, gravação, ou outros métodos eletrônicos ou mecânicos, sem a prévia autorização por escrito do titular dos direitos autorais, de acordo com a legislação vigente.
Para solicitações de permissão para usos diversos do material aqui apresentado, entre em contato por meio do e-mail jornalismopcd@gmail.com ou telefone 11.99699 9955.
A infração dos direitos autorais é uma violação de Lei Federal 9.610, passível de sanções civis e criminais.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore