Afirmação feita em Audiência Pública na Câmara Municipal de São Caetano do Sul/SP, por Mauro Checkin, Secretário Municipal de Esporte, Lazer e Juventude, repercute em todo o Brasil. Vereadora que questinou pronunciamento é entrevista no Diário PcD
O Diário PcD entrevista a vereadora Bruna Biondi que tem o mandato identificado por Mulheres por + Direitos em São Caetano do Sul, município que faz parte da região metropolitana da capital paulista.
A participação de Mauro Checkin em Audiência Pública na Câmara Municipal repercute em todo o Brasil. Ele afirmou – em trecho de sua participação que “temos um problema muito grande com autista e com qualquer deficiente”. Como profissional da área de Educação Fìsica, ele chegou a mencionar que se tivesse que trabalhar com algum ‘deficiente’ ele não trabalharia.
Confira a entrevista com a vereadora Bruna Biondi – @brunapsol, que esteve frente a frente com Checkin. A parlamentar afirma que “a continuação das falas do Secretário revelam mais capacitismo e mostra a impossibilidade dele seguir a frente de um cargo público, ainda mais sendo um cargo de alto escalão. Por isso, nosso mandato está estudando medidas cabíveis para requerer a exoneração imediata do cargo”.
Na transmissão, tudo o que disse Checkin durante a audiência
REPERCUSSÃO NACIONAL
O Ministério do Esporte divulgou Nota Oficial sobre o fato, que divulgou que “repudia com veemência as declarações do secretário de Esporte de São Caetano do Sul, por seu caráter profundamente capacitista, incompatível com os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da inclusão e do respeito às pessoas com deficiência. É dever do poder público garantir acesso, acolhimento, oportunidades e participação plena das pessoas com deficiência em todas as dimensões da vida social, inclusive no esporte, instrumento reconhecido de cidadania, desenvolvimento humano e inclusão social. Diante do ocorrido, o Ministério – por meio da Secretaria Nacional de Paradesporto – fará contato institucional com a Prefeitura de São Caetano do Sul, colocando à disposição materiais informativos, orientações técnicas e acesso aos programas federais voltados à inclusão e à promoção dos direitos das pessoas com deficiência, entendendo que a informação e a conscientização também são instrumentos fundamentais para o combate ao capacitismo. O esporte brasileiro deve ser espaço de inclusão, diversidade, respeito e dignidade para todos”.
O Comitê Paralímpico Brasileiro também se manifestou sobre as afirmações de Checkin. “A fala é discriminatória e inadmissível, revela desconhecimento sobre o papel transformador do esporte na promoção da cidadania, da dignidade e da igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência. A inclusão é um direito e um compromisso constitucional e civilizatório que deve ser defendido e promovido por todos os agentes públicos. O esporte paralímpico brasileiro é hoje referência mundial pelos resultados esportivos bem como pelo impacto social que gera diariamente em milhares de vidas em todo o país. Tratar a inclusão como obstáculo desconsidera avanços históricos construídos com esforço coletivo e desrespeita atletas, profissionais e toda a comunidade de pessoas com deficiência. Espera-se de gestores públicos responsabilidade, preparo e compromisso com políticas que ampliem o acesso e não que reforcem preconceitos ou retrocessos. Declarações dessa natureza não contribuem para o debate público e tampouco refletem os valores que devem nortear a gestão do esporte no Brasil”.
Para a Senadora Mara Gabrilli, “quando uma autoridade pública classifica pessoas com deficiência como problema, ela age com discriminação. E discriminação é crime! As falas capacitistas do secretário Mauro Chekin reforçam preconceitos e legitimam a exclusão. Em toda a minha trajetória pública sempre fiz questão de investir e apoiar o esporte e o paradesporto. Eu sei a diferença que essa poderosa ferramenta de inclusão tem na vida de uma pessoa com deficiência e de que convive com a diversidade. Não podemos tolerar que agentes públicos utilizem seus cargos para reproduzir preconceito e excluir pessoas com deficiência!”.
Já a Deputada Estadual Andrea Werner, Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ALESP – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, “a fala do Secretário é de embrulhar o estômago e já acionamos o Ministério Público. Falar que tem “problema com o autista” e comparar com pessoas “normais”, são algumas das falas absurdas e capacitistas do secretário de esporte de São Caetano do Sul. Estou oficiando o MP para que seja responsabilizado. Inclusão é direito, não é opcional”.
Confira a manifestação da Prefeitura de São Caetano do Sul, encaminhada ao Diário PcD
NOTA OFICIAL
A Prefeitura de São Caetano do Sul possui um compromisso histórico com as políticas públicas de inclusão e com a promoção dos direitos das pessoas com deficiência, pauta tratada de forma prioritária pela administração municipal em diferentes áreas, como saúde, educação, esporte e assistência social.
O município mantém investimentos contínuos em estruturas, programas e parcerias voltadas à inclusão, sendo a primeira cidade do Grande ABC a contar com uma Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência ou com Mobilidade Reduzida.
No último dia 25 de abril, a Prefeitura inaugurou o Cuidar (Complexo Unificado de Inclusão, Desenvolvimento, Apoio e Reabilitação), complexo moderno e especializado voltado ao atendimento de pessoas com deficiência e em processo de reabilitação, ampliando a rede municipal de acolhimento e assistência especializada, além de qualificar o atendimento.
São Caetano também desenvolve ações permanentes de inclusão na rede municipal de ensino, por meio do NAEI (Núcleo de Apoio à Educação Inclusiva), além de manter e ampliar parcerias com instituições de referência, como APAE, AACD, Semeador e Comitê Paralímpico Brasileiro, fortalecendo políticas públicas voltadas à acessibilidade, autonomia e qualidade de vida.
A administração municipal entende que a pauta da inclusão exige evolução constante, inclusive na superação de conceitos historicamente arraigados na sociedade. Os avanços conquistados nos últimos anos são inegáveis, mas o desafio continua permanente e coletivo. Neste processo, erros, apesar de imperdoáveis, são compreensíveis, dada a complexidade e importância desta pauta.
A Prefeitura seguirá investindo fortemente em ações, programas e políticas públicas que promovam respeito, inclusão, acolhimento e garantia de direitos às pessoas com deficiência, fortalecendo uma cidade cada vez mais acessível e inclusiva para todos.




