ANAPcD pede explicações sobre ‘discriminação’ de filha autista do goleiro Cássio em Belo Horizonte e falta de vagas na rede municipal de educação

ANAPcD pede explicações sobre 'discriminação' de filha autista do goleiro Cássio em Belo Horizonte e falta de vagas na rede municipal de educação

A entidade encaminhou manifestação e pedido de explicações urgentes da Secretária Municipal de Educação de Belo Horizonte sobre fato divulgado pelo goleiro Cássio, pai de criança diagnosticada com autismo

O goleiro Cássio Ramos, usou as redes sociais para fazer um desabafo sobre momentos de dor e tristeza que tem vivenciado nos últimos meses, após não conseguir matricular a filha de 7 anos em nenhuma escola pela criança necessitar de acompanhamento de perto por causa do autismo.

André Naves, Defensor Público Federal também comenta sobre o caso nas redes sociais

“Tenho tentado matricular a minha filha em diferentes escolas, mas a resposta é sempre a mesma: ela não é aceita”, começou Cássio.

De acordo com a atleta, desde os 2 anos, a filha tem o acompanhamento de um profissional por causa do autismo, e por isso, as escolas não aceitam matricular Maria Luiza. Cássio explicou nesta sexta-feira (22) que o profissional acompanharia a filha em sala de aula, mas as instituições que contatou não aceitam.

“Esse profissional veio com a gente de São Paulo, conhece a Maria profundamente, tem a confiança dela e poderia ajudá-la dentro de sala sem atrapalhar em nada no andamento das atividades”, relatou o goleiro.

Segundo o atleta, muitas vezes, ele e a esposa, Janara Sackl, são convocados para conversar na escola, mas infelizmente a resposta sempre é negativa. No entanto, após a empreitada conseguiu matricular a filha em uma única instituição de ensino, em Belo Horizonte (MG), que aceitou o pedido do pai.

“O mais triste é ouvir justamente de escolas que se apresentam como ‘inclusivas’, que dizem aceitar todos os tipos de crianças. A realidade, no entanto, é bem diferente. Como pai, ver sua filha rejeitada por simplesmente ser autista é algo que corta o coração. Inclusão não é só palavra bonita em propaganda, é atitude. E ainda estamos longe de viver isso de verdade”, afirmou o atleta.

A realidade do goleiro Cássio é a mesma de vários outros pais, sobretudo no Brasil, que não encontram escolas inclusivas para matricular os filhos autistas, e muitas vezes, quando encontram não tem cuidados adequados para lidar com a criança.

De acordo com dados do Censo Escolar de 2024, do Ministério da Educação (MEC) as matrículas de estudantes da educação básica com transtorno do espectro autista (TEA) aumentaram 44,4%, entre 2023 e 2024. Apesar do avanço, ainda é difícil encontrar instituições de ensino com formação adequada para professores, infraestrutura adequada [térmica e acústica] e carência de profissionais de apoio.

A ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência encaminhou neste sábado, 23, documento solicitando manifestação da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte.

Para Abrão Dib, presidente da entidade “torna-se imperioso que a Secretaria de Educação de Belo Horizonte adote medidas imediatas e eficazes para coibir a prática discriminatória de escolas que, em contrariedade ao ordenamento jurídico, recusam matrícula ou impõem obstáculos à inclusão de crianças autistas não verbais, sob o argumento da presença de acompanhante especializado. É necessário que se estabeleçam protocolos claros de fiscalização, que se criem canais acessíveis de denúncia às famílias e que se promova formação continuada de gestores e professores, a fim de tornar efetiva a promessa constitucional de uma educação inclusiva”.

A ANAPCD – em documento encaminhado para a pasta, “requer a instauração de procedimento administrativo para apuração dos fatos e adoção das medidas cabíveis em face das instituições que violaram o direito fundamental à educação, bem como se coloca à disposição desta Secretaria para colaborar em projetos de formação, sensibilização e monitoramento da política de inclusão, reafirmando que a inclusão não pode se limitar a um discurso retórico, mas deve se traduzir em práticas concretas de acolhimento e respeito à diversidade humana”.

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