Diário PcD repercutiu a situação de famílias atípicas e pessoas com deficiência que tiveram cartão TOP Especial bloqueado. Empresa responsável só oferecia um ponto para o atendimento. ARTESP determinou o ‘desbloqueio’
O Diário PcD publicou na manhã desta quarta-feira, 26, as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência e famílias atípicas que contavam com a gratuidade no transporte coletivo na Grande São Paulo, mas que tiveram o cartão TOP Especial bloqueado após a implantação do sistema de reconhecimento facial.
De acordom com a Autopass – responsável pelo cartão, desde a implantação da biometria facial, aproximadamente 1,3 milhão de transações foram avaliadas. Desse total, 22.900 cartões foram bloqueados.
Para Abrão Dib, presidente da ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência, “o que deveria ser uma ferramenta de segurança para garantir o uso correto de um benefício de transporte está se transformando, para algumas pessoas com deficiência e suas famílias, em mais uma barreira de acesso. O cartão TOP Especial, que devereia garantir gratuidade no transporte intermunicipal, estão sendo obrigados a percorrer grandes distâncias até Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, quando precisam desbloquear o cartão”.
A única opção para conseguir a gratuidade novamente era comparecer ao posto da Avenida Dona Anila, em Itapecerica da Serra, para realizar a validação presencial quando o sistema exige uma verificação adicional. Para quem mora em regiões distantes, o desbloqueio pode significar horas de deslocamento, gastos e até perda de um dia de trabalho.
ACOMPANHE: Pessoas com deficiência precisam atravessar São Paulo para desbloquear cartão de transporte TOP Especial – https://diariopcd.com.br/pessoas-com-deficiencia-precisam-atravessar-sao-paulo-para-desbloquear-cartao-de-transporte-top-especial/
“Fui desbloquear o cartão com meu filho. Fiquei horas esperando com ele para desbloquear. Fui embora de Uber. Chegando em casa eles bloquearam de novo o cartão sem motivo, sendo que fazia alguns minutos que havia desbloqueado” – escreveu uma das mães prejudicadas com o bloqueio para o Diário PcD.
De acordo com a empresa que gerencia a emissão do cartão, o reconhecimento facial foi implantado como mecanismo de segurança para verificar se o benefício está sendo utilizado pelo titular. A Autopass afirma que a tecnologia tem como objetivo garantir a correta identificação do beneficiário e evitar o uso indevido da gratuidade.
Em nota encaminhada ao Diário PcD no final da tarde, a empresa afirmou que os usuários foram devidamente comunicados sobre o bloqueio, conforme os procedimentos aplicáveis. “A companhia trabalha para ampliar as alternativas de atendimento aos beneficiários, incluindo a expansão dos pontos de atendimento e a implementação de um novo formato de atendimento online para a validação de identidade, que já está tecnicamente pronto e aguarda aprovação dos órgãos competentes”.
BLOQUEIO FOI INDEVIDO
A reportagem do Diário PcD também solicitou informações a SMPED – Secretaria Municipal das Pessoas com Deficiência da Prefeitura Municipal de São Paulo, SEDPcD – Secretararia Estadual da Pessoa com Deficiência, Assessoria de Comunicação e Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo.
Até o fechamento desta matéria, não recebemos nenhuma manifestação desses órgãos.
Também questionamos a Artesp – Agência de Transportes do Estado de São Paulo. Em resposta ao Diário PcD, o órgão informou que “determinou o desbloqueio dos cartões TOP de Pessoas com Deficiência (PCD)”
A nota informa também que as famílias foram afetadas por procedimentos realizados de forma indevida pela Autopass.
“A medida, que assegura a preservação do direito à gratuidade, deverá ser concluída, no máximo, até sexta-feira (28/08). A Artesp reforça que a gratuidade das pessoas com deficiência que atendem aos critérios previstos é um direito e seguirá fiscalizando o cumprimento das normas para garantir que nenhum usuário seja prejudicado”.
Para o presidente da Associação, “nenhum órgão gosta de ser cobrado publicamente. Quando a imprensa questiona, divulga e repete a cobrança, cria constrangimento saudável e força a resposta. Autoridades são obrigadas a explicar, justificar ou corrigir o que fizeram. Sem essa pressão, muitos erros simplesmente permanecem. Uma pessoa reclamando pode ser ignorada. Milhares de pessoas tomando conhecimento e cobrando juntas tornam-se impossíveis de ignorar. A imprensa conecta casos individuais e mostra que se trata de um problema de todos. O que era voz isolada vira clamor público. A caneta funcionou”.




