Pesquisa da Catho mostra que quase metade dos profissionais com deficiência já escondeu a condição em processos seletivos por medo de discriminação
A inclusão de pessoas com deficiência avançou nas empresas nos últimos anos, mas a experiência desses profissionais no ambiente de trabalho ainda revela obstáculos importantes. Conforme a nova edição da Pesquisa Nacional PcD, realizada pela Catho, plataforma gratuita de empregos, o percentual de profissionais que afirmam ter sofrido ou presenciado preconceito no ambiente de trabalho passou de 42,51%, em 2025, para 58,44%, em 2026, um aumento de 15,93 pontos percentuais.

O receio de discriminação também aparece antes mesmo da contratação. De acordo com o levantamento, 45,76% dos profissionais com deficiência afirmam já ter escondido sua condição durante processos seletivos por medo de sofrer preconceito.
“Ampliar o acesso é fundamental, mas não suficiente. Quando os relatos de preconceito crescem mesmo em um cenário em que os profissionais percebem melhorias nas iniciativas de inclusão, fica claro que as empresas também precisam olhar para a experiência dessas pessoas depois da contratação, garantindo condições reais de desenvolvimento, respeito e pertencimento”, afirma Patrícia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho.
A percepção sobre a motivação das contratações também se tornou mais crítica. O percentual de profissionais que acreditam que pessoas com deficiência são contratadas principalmente para cumprir a Lei de Cotas passou de 64,43%, em 2025, para 74,93%, em 2026, um crescimento de 10,5 pontos percentuais. Os dados mostram que, mesmo com o aumento das oportunidades, cresceu a percepção de que a contratação de profissionais com deficiência ainda está fortemente associada ao cumprimento da legislação.

Em paralelo, outros indicadores mostram mudanças no acesso ao mercado formal. O percentual de profissionais que afirmam conhecer a Lei de Cotas aumentou de 57,49% para 67,64% no período. Já a parcela dos que atualmente ocupam ou já ocuparam vagas amparadas pela legislação passou de 34,45%, em 2025, para 54,95%, em 2026, crescimento de 20,5 pontos percentuais.
Para Patrícia, os dados reforçam que o avanço da inclusão precisa ser observado ao longo de toda a jornada profissional.
“Não basta ampliar vagas ou cumprir a legislação. É fundamental garantir que o profissional seja acolhido, avaliado com equidade e reconhecido por suas competências. A inclusão é concretizada quando a deficiência não limita as expectativas sobre aquela pessoa nem as oportunidades que ela encontra dentro da organização”, destaca.
Na avaliação da executiva, transformar esse cenário também exige que as empresas avancem na criação de políticas para mudanças concretas na cultura organizacional.
“As empresas precisam atuar de forma consistente na conscientização das lideranças, na revisão dos processos seletivos para reduzir vieses, na criação de canais seguros de denúncia e na responsabilização de comportamentos discriminatórios. Inclusão se sustenta quando existe um compromisso contínuo em garantir condições reais e igualitárias de desenvolvimento profissional”, conclui Patrícia Suzuki.





