SP terá acorrentaço contra medidas da Hapvida que prejudicam tratamentos de pacientes com TEA

SP terá acorrentaço contra medidas da Hapvida que prejudicam tratamentos de pacientes com TEA

Grupo vai protestar contra interrupção de tratamento e descredenciamento de clínicas promovidos pela operadora Hapvida. Presidente da CDPcD na Alesp já conseguiu seis inquéritos no MP, contra a mesma empresa, por motivo semelhante

Um grupo de familiares com crianças e adolescentes no Transtorno do Espectro Autista (TEA) realiza nesta segunda-feira (22) um protesto em frente à operadora Hapvida, na Avenida Paulista, em São Paulo, contra o descredenciamento massivo de clínicas e profissionais que atendiam os autistas em métodos terapêuticos.

O grupo promete se acorrentar em frente à sede da operadora para cobrar o retorno das terapias. Há situações em que as crianças estão há quase quatro meses sem atendimento.

“Meu sobrinho é autista grau três de suporte e está desde março sem atendimento. Sequer informaram a família sobre o descredenciamento da clínica onde ele fazia as terapias, nem mesmo indicaram uma clínica equivalente“, afirma João Pedro da Silva Souza, gerente de projetos. Junto com outras famílias atípicas, João criou a associação ABA Resiste, para reivindicar a retomada dos tratamentos e preservação de direitos. Há cerca de um mês, a associação, juntamente com a entidade Nenhum Direito a Menos, obteve liminar judicial em ação civil pública para que os tratamentos fossem retomados imediatamente, mas a Hapvida ainda não cumpriu a decisão.

“O [meu sobrinho] Davi teve um retrocesso enorme na escola, uma regressão gigante no comportamento. O prejuízo ocorre dia após dia sem o tratamento”, define.

A contadora Vanessa Ferreira Pontes Brilhante, mãe de um menino autista de seis anos também em grau de suporte três, está desde março sem o atendimento do filho nas terapia. “Recebemos um telegrama dizendo, de forma muito simplificada, que ficaríamos sem atendimento. É como se fôssemos invisíveis naquilo de que precisamos”, afirma.

Mãe de mãe de um menino de 11 anos autista grau de suporte três, a psicomotricista Daniela Gerônimo Casado mor em Suzano e levava o filho para terapias em Itaquera, zona leste da capital paulista. De acordo com ela, David coleciona episódios de fuga e, com as terapias, já estava em período de manutenção, em que as crises haviam diminuído drasticamente.

“Agora eu fico com ele trancado em casa, sem conseguir trabalhar.e pior: não fui comunicada nem por telefone, por nada. Só tive interrupção do tratamento, sendo que estava há três anos na mesma clínica com ele”, lamenta.

Presidente da comissão de direitos das pessoas com deficiência na Alesp, a deputada Andréa Werner (PSB) disse que o gabinete vai acompanhar o protesto para avaliar que medidas poderão ser tomadas, adicionalmente, em relação à operadora.

“Desde 2023, tivemos uma coleção de denúncias de interrupção de tratamento por parte da Hapvida e de várias outras operadoras e e as encaminhamos todas para o Ministério Público”, explica. “Só no caso da Hapvida, já foram seis inquéritos instaurados para investigar a operadora – vamos avaliar que outras medidas poderemos tomar, junto ao Ministério Público ou à própria ANS, para coibir os abusos que essa operadora segue cometendo”, completa Andréa.

CRÉDITO/IMAGEM: Em 2022, Ativistas se acorrentaram em frente ao STJ na Capital Federal. Manifestação era um alerta de famílias de pacientes que denunciavam suspensões de tratamentos – Imagem: Eduardo Militão/UOL

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