Em sessão no STF, Presidente destaca dever de inclusão de pessoas autistas

Em sessão no STF, Presidente destaca dever de inclusão de pessoas autistas

Ministro Fachin criou grupo de trabalho para apresentar propostas de atualização da Política de Acessibilidade e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, abriu a sessão plenária da última quinta-feira (23/4) com manifestação em que destacou a importância do mês de abril para a conscientização sobre o autismo e para a reflexão institucional sobre políticas de inclusão.

Fachin lembrou que o dia 2 de abril marca o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo – instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e reconhecido no Brasil pela Lei 13.652/2018. O presidente afirmou que a data representa mais do que um marco simbólico. “É, neste período, um chamado à ação”, ressaltou.

Fachin citou dados recentes para evidenciar a dimensão do tema. Segundo ele, o Censo Demográfico de 2022 identificou cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista no Brasil, presentes em todas as regiões e contextos sociais. Já o Censo Escolar de 2024 registrou mais de 900 mil estudantes autistas na educação básica. Para o ministro, esses números evidenciam o dever de avanço nas políticas públicas e práticas institucionais voltadas à inclusão.

Fundamento constitucional

Segundo o presidente do STF, esse compromisso encontra fundamento direto na Constituição de 1988, que consagra a dignidade da pessoa humana como um dos pilares da República e impõe ao Estado a remoção de barreiras à participação plena na sociedade.

Nesse contexto, ele mencionou decisões da Corte que consolidam esse entendimento, como o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5357, no qual o Tribunal afirmou o dever de instituições privadas assegurarem a inclusão de estudantes com deficiência por meio de adaptações e sem repasse de custos às famílias. Citou ainda a ADI 7028, que considerou inconstitucional norma que restringia o conceito de pessoa com deficiência ou desconsiderava a avaliação biopsicossocial e o dever de adaptação para o ensino inclusivo.

Fachin também citou iniciativas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como norma recente que garante adaptações razoáveis, tecnologias assistivas e tempo adicional para pessoas neurodivergentes em concursos do Poder Judiciário.

Campanha e ações no STF

O ministro lembrou ainda as iniciativas em curso no Supremo, como a campanha institucional “Abril Neurodiverso: Infinitas formas de existir”, organizada pela Secretaria de Relações com a Sociedade, com ações voltadas à sensibilização, capacitação e ampliação da acessibilidade.

Além disso, ressaltou que o STF já dispõe, há algum tempo, de sala de regulação sensorial, que oferece acolhimento e melhores condições de permanência a pessoas neurodivergentes que circulam e trabalham na Corte.“Mais do que uma campanha, trata-se de um compromisso institucional: ampliar a escuta, remover barreiras e fortalecer a inclusão dentro e fora do Tribunal”, explicou.

“Todas as pessoas merecem respeito, reconhecimento e proteção constitucional”, concluiu Fachin.

Grupo de Trabalho

Também na última semana, o presidente da Corte assinou portaria que cria um grupo de trabalho para apresentação de propostas de atualização da Política de Acessibilidade e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência no STF.

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